“Capivara fora do bando vira comida de onça”.
Autor desconhecido
“Capivara fora do bando vira comida de onça”.
Autor desconhecido
O 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes foi marcado com manifestações em vários pontos do Brasil. Em Belo Horizonte, mais de 3 mil pessoas formaram um banner humano onde se leu 18 DE MAIO, na praça da Estação.
O 18 de Maio foi instituído pela Lei Federal Nº. 9970/00 como o Dia Nacional de Luta contra o Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A data foi escolhida porque em 18 de maio de 1973, em Vitória (ES) um crime bárbaro chocou todo o país e ficou conhecido como o “Crime Araceli”. Este era o nome da menina de oito anos de idade que foi raptada, drogada, estuprada, morta e carbonizada por jovens de classe média alta daquela cidade. Esse crime, apesar de sua natureza hedionda, prescreveu impune.
Esbanjando simpatia, a madrinha do evento de Belo Horizonte foi Fernanda Takai, da banda Pato Fu. Fernanda leu um texto de sua autoria, que emocionou aos que lá estavam. Muito bonito.
Aqui vai o texto de Fernanda Takai:
“Alguns assuntos merecem ser abordados de uma maneira mais direta e já se foi o tempo em que a gente não podia denunciar fatos agudos que acontecem perto de nós. Não é certo sermos testemunhas de atos de covardia, violência, negligência, exploração e abuso sem tomarmos uma atitude de cidadãos. É preciso dar voz aos que ainda se calam por pressão da família ou de
uma realidade bruta. Aqueles que estão à deriva de carinho e atenção. Sou mãe de uma menina de 8 anos e me parte o coração saber que outras garotas e meninos da mesma idade são forçados a amadurecer de uma forma nada natural em sua sexualidade, educação e formação de caráter.
Quem puder se juntar a nós, a partir de hoje, vai colaborar para construção de uma sociedade solidária, atenta e disposta a se humanizar contra todas as expectativas de competição e anulação do mundo moderno. É preciso ter responsabilidade. Olhar para o outro como se olhássemos para nós mesmos em outras épocas. Pois uma vida se constrói com amor e dedicação. Com valores de bem. Por favor, todos aqui presentes, multipliquem essa ideia de que podemos fazer a diferença na vida do próximo. E se esse alguém for uma criança, um jovem, essa diferença será determinante para o resto de sua vida.”
Por baixo, foram 8 milhões de acessos às fotos de Carolina Dieckmann que caíram na rede, em 211 domínios, 113 provedores de 23 países (dados divulgados pelo portal Uol). Sem contar que cada um que acessou as imagens pode ter copiado, replicado, sei lá o que mais…
Claro que a rede torna eterna qualquer imagem, qualquer texto, qualquer mensagem. Não há como blindar isto. Faz parte do jogo virtual ao qual somos vítimas e beneficiados. A privacidade tornou-se algo do passado das sociedades. Tudo é público.
Os defensores ferrenhos das tecnologias da informação alardeavam que a “sociedade da informação’ fosse abrir campos para pesquisas, para o conhecimento. Fosse, enfim, um alargamento de conhecimentos da humanidade. É verdade, mas uma verdade velada, pois, na prática, a maior parte do tempo na rede é gasto pela grande maioria para falar de si e para falar sobre a vida particular dos outros, sempre os famosos. Conhecimento? Pesquisa científica? Claro que acontecem, mas a escala é bem inferior ao “entretenimento”, ou melhor, ao culto de si e das celebridades.
A própria atriz é um exemplo disso. Num exibicionismo desmedido, ela se fotografou nua para presentear o marido. Algo mais narciso, impossível. Claro que é um direito dela se fotografar, mas já que ela se propõe a ser uma figura pública, vive de sua imagem pública, não pode fugir de nosso senso crítico.
Já os milhares de bisbilhoteiros virtuais são tão reais que se podem conhecê-los em cada muro de rede social. Eles têm tempo e disposição para gastar com tamanha futilidade.
Será esta a democratização da comunicação que acreditavam os teóricos? Será este o conhecimento compartilhado em escala global que tantos sonharam?
Cândida Borges Lemos
A presidente Dilma Rousseff caiu no golpe do confisco da poupança. De novo! Mais uma vez perde o povo brasileiro, mas a conta política a pagar é alta. Não há discurso, retórica ou semântica que explique de forma diferente o que está óbvio: É confisco mesmo! Vale aqui lembrar que o ex-presidente Fernando Collor teve, entre as principais causas da sua queda, o confisco da poupança. E isso com sua ex-poderosa ministra da Fazenda Zélia Cardoso de Mello, que também tentou justificar a também óbvia expropriação do suado dinheiro do povo brasileiro.
Tá de brincadeira! Se querem achacar a poupança com a desculpa de que os títulos de governo estão menos atrativos é simples: parem de jogar dinheiro fora e de aumentar a dívida pública para lá de trilhões. Reduza ou corte a cobrança do Imposto de Renda (IR) sobre as demais aplicações financeiras. E não adianta dizer que quem vota no PT não tem poupança. Tem sim.
A classe média, intelectualizada ou não, tem poupança. Os idosos complementam a aposentadoria ridícula e sem reajuste há décadas com rendimento de poupança, dinheiro que vem de venda de imóveis no fim da vida. Indenizações trabalhistas de desempregados vão também para a poupança. Vai roubar daí também governo? Não é preciso dizer mais nada. Collor pagou caro e Dilma vai pagar também!
Angela Drummond
O jornalista Décio Sá foi morto a tiros dentro de um restaurante na avenida Litorânea, em São Luís (MA), na noite a segunda-feira (23). Repórter de política do jornal “O Estado do Maranhão”, ele mantinha um blog sobre o tema.
Levantamento do CPJ (Committee to Protect Journalists) divulgado no último dia 17 indica que o Brasil é o 11º país do mundo em que os assassinatos de jornalistas mais ficam impunes.
Foram registrados 27 crimes contra a imprensa no Brasil. Duas dessas mortes foram em 2011: a do dirigente petista e editor Edinaldo Filgueira do jornal “O Serrano”, assassinado com seis tiros em 15 de junho, em Serra do Mel, a 252 km de Natal (RN).
E a ainda não solucionada morte do apresentador de TV e radialista Luciano Leitão Pedrosa, de Pernambuco, por tiros em abril, em Vitória de Santo Antão, a 47 km de Recife (PE).
De acordo com o “Índice da Impunidade” elaborado pelo órgão, cinco mortes de jornalistas nos últimos dez anos não resultaram em nenhuma condenação no país.
Isso tudo sem falar nos jornalistas perseguidos e expulsos sumariamente das redações por posturas politicas, éticas, etárias e salariais,na obscena substituição de profissionais dos últimos anos sem motivo justo. Uma forma de morte não registrada na imprensa nacional.
Demissões sumárias pelo que o saudoso Millor Fernandes definiria como a “O livre pensar, é só pensar”.
Angela Drummond
Sabe aquele velho ditado: cada macaco no seu galho? Pois, creio que aqui se aplica. Tramita na Assembléia dos Deputados de Minas projeto de lei que versa sobre o que deve ser ministrado em sala de aula nas redes pública e privada. Segundo reportagem do jornal Estado de Minas de hoje, 20 de abril, o texto já aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça reza que “será priorizada a adoção de livros que não contrariem a norma culta da língua portuguesa”. Trocando em miúdos: Guimarães Rosa estaria fora da vida das crianças e adolescentes de Minas para todo o sempre. Muitos dos escritores modernistas, como Mário de Andrade, também estariam fora do contexto. Coitadas das crianças, nunca iriam ler Macunaíma.
O texto que originou tão infame projeto de lei é de autoria do deputado Bruno Siqueira. Era quase obsceno: “Fica proibido a adoção e distribuição, na rede de ensino pública e privada do Estado de Minas Gerais, de qualquer livro didático, paradidático ou literário com conteúdo contrário à norma culta da língua portuguesa ou que viole de alguma forma o ensino correto da gramática. O disposto no caput também se aplica quando o conteúdo apresentar elevado teor sexual, com descrições de atos obscenos, e erotismo e referências a incestos ou apologias e incentivos diretos ou indiretos à pratica de atos criminosos”. Portanto, Nelson Rodrigues e Rubem Fonseca seriam banidos das Geraes, entre outros.
Quem deve decidir sobre conteúdos do que venha a ser ministrado nas escolas não é o poder legislativo. Não tem qualquer competência para isto, mas, sim, professores, estudiosos, pesquisadores. Enfim, gente que estuda e lê. Ainda mais quando se trata de obra literária, há licença para tudo, escreve-se como se quer.
Se tal projeto vier a ser aprovado, seria uma forma clara e explícita de censura às artes e à liberdade de expressão.
Que audácia dos nossos legisladores!
Cândida Borges Lemos
Cristina Kirchner mostrou coragem com a nacionalização de parte da YPF (51%), a poderosa companhia petrolífera da Argentina que havia sido privatizada quando a onda neoliberal devastou a América Latina. Os estrangeiros, autoridades da Itália e do Reino Unido, veem a questão como “expropriação”.
Mas é justamente de expropriação que eles mais entendem. Fazem isso com o terceiro mundo ou com os países emergentes há séculos: América Latina, África e outros continentes menores, como a Austrália. E a cada reação de independência, autonomia financeira ou soberania nacional, a intervenção vem pesada, como os anos de chumbo das ditaduras que apoiaram e da destruição que espalham nos países árabes em busca do “óleo” tão precioso para os seus países de invernos gelados.
Será que esses poderosos da velha Europa não conseguem viver sem as suas colônias? Coitadinhos. Estão ficando pobres… ou menos ricos. Cortando salários, aposentadorias e outros confortos próprios de quem soube e sabe muito bem o que é expropriar povos dominados. E ainda o fazem.
Na onda deflagrada agora pela presidente da Argentina em torno de uma empresa que não investiu o que prometeu e ainda por cima acumula dívida de um bem que pertence ao povo argentino, outros presidentes deveriam refletir sobre o que acontece em seus país.
No Brasil temos o escândalo das telefonias móveis e fixas que fizeram uma barafunda tal de planos e propostas confusas que o brasileiro cai em todas as armadilhas pagando preços absurdos por serviços de péssima qualidade.
Tomara que a presidente Dilma Rousseff converse menos com Hillary Clinton – que maridão, hein? – e mais com Cristina Kirchner. Pelo menos de marido, Kirchner entende mais.
Angela Drummond
Responda depressa: o que funciona pior no Brasil, a Funai, o INSS ou o Dnit? Depois de mais de seis horas para chegar de São João Del Rey a Belo Horizonte no domingo de Páscoa, uma distância de pouco mais de 180 Km, voto no Dnit como o pior órgão público da federação.
Acidentes com vítimas fatais por absoluta falta de descaso com manutenção das estradas – onde o motorista sempre é o culpado – é caso de polícia!!! A BR-040, umas das três mais importantes do país para circulação de pessoas e mercadoria, leia-se carros leves de passeio e carga pesada, já poderia ter iniciado o processo de duplicação em 2009, privatizada pelo regime de concessão e cobrança de pedágio, como já acontece em todo o mundo para rodovias do gênero. Até mesmo em toda a Europa em crise, onde as rodovias vão muito bem obrigado!
Buraco por toda parte, falta de acostamento, placas imundas de barro e sem atualização há anos, traçados de pista apagados, asfalto de quinta categoria, em ondas, e poucas terceiras pistas em subidas. Patrulhamento rodoviário, então, nem sinal. Um único posto policial entre Congonhas e Sete Lagoas, caindo de podre, prédio cheio de infiltrações. E foi exatamente ali perto que quatro pessoas morreram na hora e cinco estão gravemente feridas depois do grave acidente entre um caminhão que transportava madeira, em pleno domingo, e carro de passageiros.
Aí, fica fácil perguntar: cadê o dinheiro dos nossos impostos, IPVA, seguro obrigatório, sobre a gasolina, carros, e tudo o mais. População extorquida e o governo federal perdendo a grande oportunidade de entrar para história de forma”desemPACada” quando o assunto é modernização da infraestrutura do país. Que pena que não deu certo!
Continuamos a correr e a morrer na antiga BR-3, ou melhor, na BR-040, uma das piores do mundo.
Quanto ao INSS e à Funai, tentem aposentar-se ou arriscar um cálculo do valor a receber depois de 30 ou 35 anos, no setor privado, ou ser índio por apenas uns dias. Vão ver como também é bem difícil!
Angela Drummond
Continuo na dúvida quando leio dados do IBGE sobre aumento de expectativa de vida do brasileiro. Como assim? Os tratamentos melhoraram e a turma da terceira idade sobrevive mais tempo com os remédios, stents e avanços da medicina, mas, por outro lado, assistimos todos os dias ao extermínio dos jovens. Violência e uso do “crack” andam juntos.
O crescimento dos crimes violentos em todo o país e especificamente em Minas Gerais, em proporções quase geométricas, empatam com lugares onde as guerras são constantes e os poderosos do hemisfério Norte estimulam ataques brutais de mercenários, fanáticos ou dos seus próprios soldados enlouquecidos pela matança.
No Brasil, depois que o “crack” entrou e devastou as capitais sem poupar sequer áreas rurais, o problema das drogas assumiu proporções assustadoras. E o que é pior: sem controle. Uma apreensão aqui, outra ali, e a doença se alastra.
É preciso observar a história e lugares onde problema semelhante encontrou solução tão radical quando o vício que a droga proporciona. Os governos deveriam avaliar programas de sucesso, como a China que acabou com o uso do ópio – hoje apenas exporta – ou a Holanda, que liberou uma rua inteira para usuários e dependentes químicos.
O certo é que, dificilmente, não haverá solução sem atitudes extremas. Isso porque, segundo psicólogos que lidam com o problema, a droga exige exclusividade, uma postura também extrema. E sendo assim, todos os demais laços são cortados. Seja entre pais e filhos, marido e mulher, irmãos, amigos. Sem a ação efetiva do Estado – cada dia mais mínimo nesse aspecto – a juventude brasileira continuará a ser exterminada em obscena velocidade. Se a cada duas horas, morrem dois jovens em capitais como Belo Horizonte, a expextativa de vida não passa dos 23 anos.
Angela Drummond
Desde hoje, 2 de abril, o Itamaraty passa a exigir dos espanhóis que tentam entre no Brasil os mesmos requisitos que o governo espanhol aplica aos brasileiros que lá aterrissam: bilhete aéreo de ida e volta, com data da volta marcada, provar que a pessoa tem meios financeiros para permanecer no país, 74 euros por dia, comprovante de pagamento do hotel em que ficará hospedado e, em caso de hospedagem em casa particular. Carta-convite.
O Itamaraty, vira e mexe, recebe reclamações de brasileiros que passam por humilhações no aeroporto de Madrid. Segundo o UOL, em 2007, os espanhóis barraram 3.013 brasileiros no aeroporto madrileno, segundo o Itamaraty. No ano seguinte, foram 2.196. Em 2009, houve queda para 1.714 e em 2010, para 1.695. No ano passado, 1.402 brasileiros foram rejeitados na principal porta de entrada para a Espanha.
Com a crise europeia e, ao mesmo tempo, a ascensão dos Brics, a ordem global mudou. As levas de brasileiros e latino-americanos que iam para a Europa e os Estados Unidos em busca de trabalho e fazer o tal pé de meia ficaram na história. Hoje, há o inverso, pois são europeus que buscam se arrumar na vida por aqui.
As taxas de desemprego na eurozona são assustadores. O jornal espanhol El País divulgou hoje que a média do desemprego na região está em 10,8%. A Espanha puxa a fila: 23, 6%. Mais assustador ainda: um em cada dois jovens espanhóis está sem trabalho. O diário comenta: “O desemprego europeu reflete com toda a dureza das mudanças econômicas negativas que vive o continente”.
A cifra é a pior desde que existem estatísticas da União Europeia, 1998. Em alguns países do bloco, a situação é crítica em relação ao desemprego:Grécia (21%), Portugal (15%) e Irlanda (14,7%),
Na Espanha, pessoas de todas as idades buscam a sorte em países europeus que precisam de mão-de-obra, como a Alemanha e Holanda. Em 2011 foram 45 mil imigrantes novos na Espanha. Porém, mais espanhóis deixaram seu país: 580.850 pessoas. Já se prevê que a população está encolhendo.
Ainda assistiremos a muitas surpresas quanto à imigração aqui no Brasil. Tem muita gente vindo cantar em nosso terreiro. Será que haverá emprego para todos? E os jovens universitários e recém-formados brasileiros? Estarão em condições de competir com estrangeiros. Esta discussão está apenas começando.
Cândida Borges Lemos
O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Ari Pargendler, admitiu na quinta-feira, dia 29 de março, que a Corte pode rever o julgamento em que inocentou um homem que manteve relações sexuais com meninas de 12 anos. Pelo entendimento do tribunal, a relação sexual entre um homem e crianças menores de 14 anos de idade não configura necessariamente o crime de estupro.
Todos nós já presenciamos decisões judiciais absurdas, mas este dói na alma. O Brasil ainda muito tem de avançar no entendimento acerca da violência sexual infantojuvenil. É bastante vergonhoso ver uma decisão tão infame e que abre procedência para que decisões semelhantes sejam tomadas país afora.
Aqui vai o link da reportagem
http://oab-rj.jusbrasil.com.br/noticias/3073472/stj-admite-rever-decisao-sobre-estupro